ELES SÃO GUINEENSES, TAMBÉM
As férias tinham terminado. Chegara a altura de voltar à capital. Bissau estava à espera, paciente e indiferentemente. Sempre que regressava de férias, haviam uns acompanhantes incómodos, mas inescapáveis: os conselhos do meu pai. Eles eram como uma tinta indelével que penetrava no meu cérebro para o resto do ano escolar, para não dizer o resto da minha vida. Eles, os conselhos, tinham sempre a mesma tónica, o mesmo objectivo. "Por favor, não me desaponte," era o aviso e "siga os exemplos dos que já alcançaram sucessos," era o objectivo.
Ainda não estou na altura de afirmar que já consegui os dois, mas não me esqueci dos conselhos do meu pai. Uma das razões porque não os consigo esquecer é por simples facto de o meu pai ter sempre destacado uma pessoa que os habitantes de "Patchâna" viam como exemplar. O meu pai sempre me dizia: "tens que pegar teso na escola...estás a ver onde está o Sôro...ele está em Cuba a estudar." Tinha muita pouca ideia onde estava Cuba e nem tão pouco sobre o indivíduo tanto idealizado pelo meu pai.
Bem, Cuba e Sôro ficaram eternamente gravados na minha memória. Cuba? As dissipações ficaram esclarecidas no liceu. Cuba e União Soviética eram os tópicos comuns reforçados pela presença dos professores destas nacionalidades. Quando fiquei a saber mais sobre a Cuba e doutros países de "Leste", dei algum crédito ao meu pai. Valia a pena estudar muito e esperar por uma bolsa de estudos que me fizesse chegar a um dos desses países. O desejo foi ainda maior quando a vida me cruzou com um outro oficial militar que acabara de voltar de Cuba. Dizia ele, a comida não faltava; os hospitais eram impecáveis; a fraternidade cubana era invejável e as escolas eram óptimas.
Estavámos no auge do Comunismo e da revolução social cubana. Frases como "Cuba Livre" e a lucidez do seu líder histórico Fidel Castro iam de mãos dadas nas salas de aula tal como durante os recreios. Cuba...Fidel...Revolução e daí para fora!
As voltas do destino eliminaram a Cuba dos meus percursos académicos. Mas, aqui e ali cruzava-me com pessoas provenientes de Cuba ou cujos familiares estariam a estudar em Cuba. Não seria um exagero afirmar que são poucos os guineenses que não têm ou tiveram familiares naquela ilha. Afinal, tal como o meu próprio pai, muitos guineenses compartilhavam as lendas do socialismo benevolente de Cuba. Mas, nostalgia de lado, a Cuba de hoje não é a Cuba de ontem. O Comunismo está quase no seu fim; Fidel já não dispõe de uma voz firme e o sistema social e educativo já não recebe as injecções ideológicas de outrora.
Em suma, o país tem dificuldades em preservar as heranças e os compromissos do passado. Aliás, Cuba já vem apertando o cinto por mais de duas décadas. Caso para dizer, o açúcar, o leite, os ovos, o arroz, os livros, os transportes, e a cana-de-açúcar já não são grátis. Cuba continua "livre," mas viver lá tem um preço. Os hóspedes continuam a ser bem-vindos, mas as despesas têm que ser à conta própria. Não creio que o meu pai saiba dessas mudanças. Afinal de contas, o filho que ele sempre aconselhou não está em Cuba e, por isso mesmo, livre de lamentações. Mas, os pais doutrem devem estar apavorados com a situação de penúria permanente em que os filhos deles se encontram. Esta situação de extrema degradação já fez correr muita tinta, mas nem uma única cabeça, como é de esperar.
Retórica de lado, diria que chegou a altura de os governantes guineenses prestarem uma atenção especial aos estudantes nacionais espalhados por todo o mundo, particularmente nos países com graves dificuldades económicas. É bom saber de que em Cuba a educação é universal e gratuita. Mas é particularmente importante reconhecer de que Cuba não dispõe de condições para satisfazer as necessidades de estudantes provenientes de 113 nações, 70 porcento dos quais africanos.
Há já algum tempo que eu tenho estado a acompanhar a situação penosa e lamentável em que centenas de estudantes guineenses se encontram em Cuba. Não consigo imaginar tiver que se viver e estudar num país com graves dificuldades económicas sem se puder contar com os apoios dos países de origem. Como se for estudante só por si não bastasse, já há algum tempo que os nossos conterrâneos têm vindo a sofrer a sensação de total abandono por partes dos sucessivos governos.
Para agravar ainda mais a situação, muito recentemente o Governo cubano alarmou a população da ilha ao anunciar uma série de medidas de contingência económica o que tem colocado o país num alto nível de precariedade social. Infelizmente, sempre que hajam filas nos estabelecimentos de venda de alimentos e o reforço da presença policial nas lojas de troca de divisas cresce a agonia dos estudantes. E mesmo sem estas conturbações, os estudantes guineenses não estão em condições de competir com os residentes locais muitos dos quais habituados a receber divisas através dos exilados ou emigrantes cubanos nos EUA quem enviam anualmente para a ilha mais de 900 milhões de dólares. Nos nossos dias, e para a desgraça dos estudantes menos preparados, há quem diga que hajam mais dólares a circular nas cidades cubanas de que a moeda local. Mas, não é a troca de divisas ou a desvalorização do Peso cubano é que afecta os estudantes nacionais. O problema é a falta de qualquer tipo de dinheiro.
E se em Cuba a falta de subsídios constitui o cume do problema, não menos grave é o drama vivido pelos outros estudantes guineenses nos países da antiga União Soviética, particularmente na Rússia. Recentemente, a reitoria russa da "Universidade Amizade" entre os povos prometeu expulsar mais de uma centena e meia de estudantes guineenses em princípio do mês de Julho deste ano, caso o governo de Bissau não regularizar as suas propinas. A decisão de expulsar os estudantes guineenses fora transmitida ao já extinto Governo de Transição. A nota diz que o governo de Bissau deveria ter pago o estudo, o alojamento e o seguro médico dos nossos estudantes até ao dia 15 de Agosto do ano transacto. Ao que parece, as reivindicações russas ainda não foram cumpridas.
Sabe-se também que pessoas ligadas à nossa embaixada na Rússia estão a viver numa situação miserável. Aliás, é já comum ouvir relatos das embaixadas que não funcionam; de representações diplomáticas sem corrente eléctrica e telefones; dos despejos e até do recurso ao sistema judicial contra o nosso corpo diplomático por falta de pagamentos das suas dívidas. Ironicamente, as nossas representações diplomáticas nos EUA já passaram pelas mesmas circunstâncias. Portanto, a situação é generalizada e nenhuma representação diplomática é totalmente imune.
Voltando à questão dos estudantes, numa recente comunicação proveniente de Cuba fiquei a saber de que os nossos estudantes nunca receberam os seus subsídios e o pessoal da embaixada também há meses que não recebe os devidos salários. (In)felizmente, Cuba não é como os EUA, a França ou o Portugal onde há um bom número de imigrantes guineenses que procuram e pagam pelos serviços consulares, nomeadamente a concessão de novos passaportes. Tais fundos podem ajudar de vez em quando, mas também não são suficientes para colmatar as despesas mínimas dessas instituições.
Assim sendo, Guiné-Bissau tem que começar a prestar uma grande atenção às situações dos nossos conterrâneos nos países menos favorecidos. Afinal de contas, todas essas pessoas que sofrem e labutam (e até mendigam) por esse mundo fora são guineenses e merecem um tratamento condigno. O governo, já agora o novo governo, deve desencadear acções urgentes para devolver dignidade aos milhares de estudantes ou representantes diplomáticos.
Guiné-Bissau não pode continuar a se refugiar nisto de "sermos um país pobre e sem recursos." O saneamento do país passa necessariamente pela melhoria de condições dos que de uma forma ou outra representam a imagem externa do país. Fazendo um paralelo à afirmação de Amílcar Cabral sobre as crianças que ele carinhosamente denominou de "flores da nossa luta," diria que os estudantes guineenses são "sementes do nosso desenvolvimento".
Como reza a história, os tempos mudam, mas mesmo que a Cuba e a antiga União Soviética não sejam fontes de inspiração e destinos mais procurados nos dias de hoje, temos uma dívida para com aqueles que dispõem de opacos recursos financeiros, continuando a depender, por isso, da benevolência das escolas cubanas ou soviéticas. Apesar de graves problemas com que esses estudantes se deparam, sei que eles ainda continuam a carregar as chamas da "esperança".
Chegou o tempo de devolver o riso e a dignidade aos diplomatas e estudantes. Cada um deve dar o seu quinhão. Da minha parte, dou a minha contribuição em memória das almas que se dissiparam pouco depois de terem cortado a meta académica, tal como Sôro, aliás Handem Ganó (que a alma dele descanse em paz). Dou o meu contributo para honrar tantos outros quadros e estudantes guineenses, cujos destinos têm encontrado inúmeras dificuldades, mas que ainda continuam a acreditar na imperiosidade de um diploma académico. Para todos estes, digo simplesmente, vale a pena o esforço e o sacrifício. E só rezo que o novo governo dê uma mãozinha. Um gesto neste sentido seria um grande serviço à nação guineense. Merecidamente.
data: Maio de 2004

9 Comments:
At 6:21 AM,
Fernando Casimiro said…
Aqui está um artigo irrepreensível do ponto de vista objectivo.
A Guiné-Bissau, ao contrário do que aparentemente se julga, também tem os seus analistas, os seus escritores, os seus jornalistas, os seus pensadores, enfim a intelectualidade inserida num espaço digno e nobre, que é junto às massas, com as massas e, para as massas.
Umaro Djau, deixa aqui uma visão realista das mudanças ocorridas com o " fim " do Comunismo e as suas repercussões sobretudo nos países africanos e, na Guiné-Bissau em particular. Repercussões essas tão bem delineadas, no artigo, que, pese embora o constrangimento, nos elucida para os problemas graves dos nossos estudantes e pessoal diplomático, cabendo às autoridades guineenses encontrar soluções para os resolver.
Simplesmente brilhante,
Fernando Casimiro ( Didinho )
05.06.2004
At 12:16 PM,
Anónimo said…
Sr. Djau,
O seu "blog" e optimo. Voce e um exemplo do nobre espirito guineense.
Gostei tanto!
Gideao Martins
At 12:16 PM,
Anónimo said…
Sr. Djau,
O seu "blog" e optimo. Voce e um exemplo do nobre espirito guineense.
Gostei tanto!
Gideao Martins
At 8:21 AM,
Roberto Iza Valdes said…
Esta mensagem foi removida por um administrador do blogue.
At 9:35 PM,
Roberto Iza Valdes said…
Esta mensagem foi removida por um administrador do blogue.
At 8:45 AM,
ricardo7664 said…
Sr. Djau olha nao sei dizer como é que sinto no coraçao a ver e ler a suas análises.
Para dizer a verdade vc é um exemplo di Guinendade.pensar Guiné no coraçao e na escrita.
Isso é bom, claro devemos deixar as memorias.
As suas análises sao extremamente importante para que sabe fazer uma observaçao atenta.
Se muitos comentarios, vc é nota Dez.
Ricardo Maria Djalank
At 5:06 PM,
Iza Firewall said…
Dear administrator:
Some of our comments above may include links that are no longer valid or that do not have a nofollow value. They might very well lead you today to a third party. Therefore,
I ask you, if you would be so kind, to please delete or disregard those
comments.
Many thanks and best wishes,
Iza, Roberto Iza
Muy Señores Míos:
Algunos de nuestros comentarios incluyen vínculos rotos que bien pudieran llevar hoy a una tercera persona. Por tanto, le rogamos, por favor, que los deseche o desestime.
Gracias y recuerdos
Iza, Roberto Iza
At 3:51 AM,
Anónimo said…
O PERCURSO De DR HUGO JOSÉ AZANCOT DE MENEZES
Hugo de Menezes nasceu na cidade de São Tomé a 02 de fevereiro de 1928, filho do Dr Ayres Sacramento de Menezes.
Aos três anos de idade chegou a Angola onde fez o ensino primário.
Nos anos 40, fez o estudo secundário e superior em Lisboa, onde concluiu o curso de medicina pela faculdade de Lisboa.
Neste pais, participou na fundação e direcção de associações estudantis, como a casa dos estudantes do império juntamente com Mário Pinto de Andrade ,Jacob Azancot de Menezes, Manuel Pedro Azancot de Menezes, Marcelino dos Santos e outros.
Em janeiro de 1959 parte de Lisboa para Londres com objectivo de fazer uma especialidade, e contactar nacionalistas das colónias de expressão inglesa como Joshua Nkomo( então presidente da Zapu, e mais tarde vice-presidente do Zimbabué),George Houser ( director executivo do Américan Commitee on África),Alão Bashorun ( defensor de Naby Yola ,na Nigéria e bastonário da ordem dos advogados no mesmo pais9, Felix Moumié ( presidente da UPC, União das populações dos Camarões),Bem Barka (na altura secretário da UMT- União Marroquina do trabalho), e outros, os quais se tornou amigo e confidente das suas ideias revolucionárias.
Uns meses depois vai para Paris, onde se junta a nacionalistas da Fianfe ( políticos nacionalistas das ex. colónias Francesas ) como por exemplo Henry Lopez( actualmente embaixador do Congo em Paris),o então embaixador da Guiné-Conacry em Paris( Naby Yola).
A este último pediu para ir para Conacry, não só com objectivo de exercer a sua profissão de médico como também para prosseguir as actividades políticas iniciadas em lisboa.
Desta forma ,Hugo de Menezes chega ao já independente pais africano a 05-de agosto de 1959 por decisão do próprio presidente Sekou -Touré.
Ainda em 1959 funda o movimento de libertação dos territórios sob a dominação Portuguesa.
Em fevereiro de 1960 apresenta-se em Tunes na 2ª conferência dos povos africanos, como membro do MAC , com ele encontram-se Amilcar Cabral, Viriato da Cruz, Mario Pinto de Andrade , e outros.
Encontram-se igualmente presente o nacionalista Gilmore ,hoje Holden Roberto , com o qual a partir desta data iniciou correspondência e diálogo assíduos.
De regresso ao pais que o acolheu, Hugo utiliza da sua influência junto do presidente Sekou-touré a fim de permitir a entrada de alguns camaradas seus que então pudessem lançar o grito da liberdade.
Lúcio Lara e sua família foram os primeiros, seguindo-lhe Viriato da Cruz e esposa Maria Eugénia Cruz , Mário de Andrade , Amílcar Cabral e dr Eduardo Macedo dos Santos e esposa Maria Judith dos Santos e Maria da Conceição Boavida que em conjunto com a esposa do Dr Hugo José Azancot de Menezes a Maria de La Salette Guerra de Menezes criam o primeiro núcleo da OMA ( fundada a organização das mulheres angolanas ) sendo cinco as fundadoras da OMA ( Ruth Lara ,Maria de La Salete Guerra de Menezes ,Maria da Conceição Boavida ( esposa do Dr Américo Boavida), Maria Judith dos Santos (esposa de um dos fundadores do M.P.L.A Dr Eduardo dos Santos) ,Helena Trovoada (esposa de Miguel Trovoada antigo presidente de São Tomé e Príncipe).
A Maria De La Salette como militante participa em diversas actividades da OMA e em sua casa aloja a Diolinda Rodrigues de Almeida e Matias Rodrigues Miguéis .
Na residência de Hugo, noites e dias árduos ,passados em discussões e trabalho… nasce o MPLA ( movimento popular de libertação de Angola).
Desta forma é criado o 1º comité director do MPLA ,possuindo Menezes o cartão nº 6,sendo na realidade Membro fundador nº5 do MPLA .
De todos ,é o único que possui uma actividade remunerada, utilizando o seu rendimento e meio de transporte pessoal para que o movimento desse os seus primeiros passos.
Dr Hugo de Menezes e Dr Eduardo Macedo dos Santos fazem os primeiros contactos com os refugiados angolanos existentes no Congo de forma clandestina.
A 5 de agosto de 1961 parte com a família para o Congo Leopoldville ,aí forma com outros jovens médicos angolanos recém chegados o CVAAR ( centro voluntário de assistência aos Angolanos refugiados).
Participou na aquisição clandestina de armas de um paiol do governo congolês.
Em 1962 representa o MPLA em Accra(Ghana ) como Freedom Fighters e a esposa tornando-se locutora da rádio GHANA para emissões em língua portuguesa.
Em Accra , contando unicamente com os seus próprios meios, redigiu e editou o primeiro jornal do MPLA , Faúlha.
Em 1964 entrevistou Ernesto Che Guevara como repórter do mesmo jornal, na residência do embaixador de Cuba em Ghana , Armando Entralgo Gonzales.
Ainda em Accra, emprega-se na rádio Ghana juntamente com a sua esposa nas emissões de língua portuguesa onde fazem um trabalho excepcional. Enviam para todo mundo mensagens sobre atrocidades do colonialismo português ,e convida os angolanos a reagirem e lutarem pela sua liberdade. Estas emissões são ouvidas por todos cantos de Angola.
Em 1966´é criada a CLSTP (Comité de libertação de São Tomé e Príncipe ),sendo Hugo um dos fundadores.
Neste mesmo ano dá-se o golpe de estado, e Nkwme Nkruma é deposto. Nesta sequência ,Hugo de Menezes como representante dos interesses do MPLA em Accra ,exilou-se na embaixada de Cuba com ordem de Fidel Castro. Com o golpe de estado, as representações diplomáticas que praticavam uma política favorável a Nkwme Nkruma são obrigadas a abandonar Ghana .Nesta sequência , Hugo foge com a família para o Togo.
Em 1967 Dr Hugo José Azancot parte com esposa para a república popular do Congo - Dolisie onde ambos leccionam no Internato de 4 de Fevereiro e dão apoio aos guerrilheiros das bases em especial á Base Augusto Ngangula ,trabalhando paralelamente para o estado Congolês para poder custear as despesas familhares para que seu esposo tivesse uma disponibilidade total no M.P.L.A sem qualquer remuneração.
Em 1968,Agostinho Neto actual presidente do MPLA convida-o a regressar para o movimento no Congo Brazzaville como médico da segunda região militar: Dirige o SAM e dá assistência médica a todos os militantes que vivem a aquela zona. Acompanha os guerrilheiros nas suas bases ,no interior do território Angolano, onde é alcunhado “ CALA a BOCA” por atravessar essa zona considerada perigosa sempre em silêncio.
Hugo de Menezes colabora na abertura do primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário em Dolisie ,onde ele e sua esposa dão aulas.
Saturado dos conflitos internos no MPLA ,aliado a difícil e prolongada vida de sobrevivência ,em 1972 parte para Brazzaville.
Em 1973,descontente com a situação no MPLA e a falta de democraticidade interna ,foi ,com os irmãos Mário e Joaquim Pinto de Andrade , Gentil Viana e outros ,signatários do « Manifesto dos 19», que daria lugar a revolta activa. Neste mesmo ano, participa no congresso de Lusaka pela revolta activa.
Em 1974 entra em Angola ,juntamente com Liceu Vieira Dias e Maria de Céu Carmo Reis ( Depois da chegada a Luanda a saída do aeroporto ,um grupo de pessoas organizadas apedrejou o Hugo de tal forma que foi necessário a intervenção do próprio Liceu Vieira Dias).
Em 1977 é convidado para o cargo de director do hospital Maria Pia onde exerce durante alguns anos .
Na década de 80 exerce o cargo de presidente da junta médica nacional ,dirige e elabora o primeiro simpósio nacional de remédios.
Em 1992 participa na formação do PRD ( partido renovador democrático).
Em 1997-1998 é diagnosticado cancro.
A 11 de Maio de 2000 morre Azancot de Menezes, figura mítica da historia Angolana.
At 5:16 PM,
Anónimo said…
O PERCURSO De DR HUGO JOSÉ AZANCOT DE MENEZES
Hugo de Menezes nasceu na cidade de São Tomé a 02 de fevereiro de 1928, filho do Dr Ayres Sacramento de Menezes.
Aos três anos de idade chegou a Angola onde fez o ensino primário.
Nos anos 40, fez o estudo secundário e superior em Lisboa, onde concluiu o curso de medicina pela faculdade de Lisboa.
Neste pais, participou na fundação e direcção de associações estudantis, como a casa dos estudantes do império juntamente com Mário Pinto de Andrade ,Jacob Azancot de Menezes, Manuel Pedro Azancot de Menezes, Marcelino dos Santos e outros.
Em janeiro de 1959 parte de Lisboa para Londres com objectivo de fazer uma especialidade, e contactar nacionalistas das colónias de expressão inglesa como Joshua Nkomo( então presidente da Zapu, e mais tarde vice-presidente do Zimbabué),George Houser ( director executivo do Américan Commitee on África),Alão Bashorun ( defensor de Naby Yola ,na Nigéria e bastonário da ordem dos advogados no mesmo pais9, Felix Moumié ( presidente da UPC, União das populações dos Camarões),Bem Barka (na altura secretário da UMT- União Marroquina do trabalho), e outros, os quais se tornou amigo e confidente das suas ideias revolucionárias.
Uns meses depois vai para Paris, onde se junta a nacionalistas da Fianfe ( políticos nacionalistas das ex. colónias Francesas ) como por exemplo Henry Lopez( actualmente embaixador do Congo em Paris),o então embaixador da Guiné-Conacry em Paris( Naby Yola).
A este último pediu para ir para Conacry, não só com objectivo de exercer a sua profissão de médico como também para prosseguir as actividades políticas iniciadas em lisboa.
Desta forma ,Hugo de Menezes chega ao já independente pais africano a 05-de agosto de 1959 por decisão do próprio presidente Sekou -Touré.
Ainda em 1959 funda o movimento de libertação dos territórios sob a dominação Portuguesa.
Em fevereiro de 1960 apresenta-se em Tunes na 2ª conferência dos povos africanos, como membro do MAC , com ele encontram-se Amilcar Cabral, Viriato da Cruz, Mario Pinto de Andrade , e outros.
Encontram-se igualmente presente o nacionalista Gilmore ,hoje Holden Roberto , com o qual a partir desta data iniciou correspondência e diálogo assíduos.
De regresso ao pais que o acolheu, Hugo utiliza da sua influência junto do presidente Sekou-touré a fim de permitir a entrada de alguns camaradas seus que então pudessem lançar o grito da liberdade.
Lúcio Lara e sua família foram os primeiros, seguindo-lhe Viriato da Cruz e esposa Maria Eugénia Cruz , Mário de Andrade , Amílcar Cabral e dr Eduardo Macedo dos Santos e esposa Maria Judith dos Santos e Maria da Conceição Boavida que em conjunto com a esposa do Dr Hugo José Azancot de Menezes a Maria de La Salette Guerra de Menezes criam o primeiro núcleo da OMA ( fundada a organização das mulheres angolanas ) sendo cinco as fundadoras da OMA ( Ruth Lara ,Maria de La Salete Guerra de Menezes ,Maria da Conceição Boavida ( esposa do Dr Américo Boavida), Maria Judith dos Santos (esposa de um dos fundadores do M.P.L.A Dr Eduardo dos Santos) ,Helena Trovoada (esposa de Miguel Trovoada antigo presidente de São Tomé e Príncipe).
A Maria De La Salette como militante participa em diversas actividades da OMA e em sua casa aloja a Diolinda Rodrigues de Almeida e Matias Rodrigues Miguéis .
Na residência de Hugo, noites e dias árduos ,passados em discussões e trabalho… nasce o MPLA ( movimento popular de libertação de Angola).
Desta forma é criado o 1º comité director do MPLA ,possuindo Menezes o cartão nº 6,sendo na realidade Membro fundador nº5 do MPLA .
De todos ,é o único que possui uma actividade remunerada, utilizando o seu rendimento e meio de transporte pessoal para que o movimento desse os seus primeiros passos.
Dr Hugo de Menezes e Dr Eduardo Macedo dos Santos fazem os primeiros contactos com os refugiados angolanos existentes no Congo de forma clandestina.
A 5 de agosto de 1961 parte com a família para o Congo Leopoldville ,aí forma com outros jovens médicos angolanos recém chegados o CVAAR ( centro voluntário de assistência aos Angolanos refugiados).
Participou na aquisição clandestina de armas de um paiol do governo congolês.
Em 1962 representa o MPLA em Accra(Ghana ) como Freedom Fighters e a esposa tornando-se locutora da rádio GHANA para emissões em língua portuguesa.
Em Accra , contando unicamente com os seus próprios meios, redigiu e editou o primeiro jornal do MPLA , Faúlha.
Em 1964 entrevistou Ernesto Che Guevara como repórter do mesmo jornal, na residência do embaixador de Cuba em Ghana , Armando Entralgo Gonzales.
Ainda em Accra, emprega-se na rádio Ghana juntamente com a sua esposa nas emissões de língua portuguesa onde fazem um trabalho excepcional. Enviam para todo mundo mensagens sobre atrocidades do colonialismo português ,e convida os angolanos a reagirem e lutarem pela sua liberdade. Estas emissões são ouvidas por todos cantos de Angola.
Em 1966´é criada a CLSTP (Comité de libertação de São Tomé e Príncipe ),sendo Hugo um dos fundadores.
Neste mesmo ano dá-se o golpe de estado, e Nkwme Nkruma é deposto. Nesta sequência ,Hugo de Menezes como representante dos interesses do MPLA em Accra ,exilou-se na embaixada de Cuba com ordem de Fidel Castro. Com o golpe de estado, as representações diplomáticas que praticavam uma política favorável a Nkwme Nkruma são obrigadas a abandonar Ghana .Nesta sequência , Hugo foge com a família para o Togo.
Em 1967 Dr Hugo José Azancot parte com esposa para a república popular do Congo - Dolisie onde ambos leccionam no Internato de 4 de Fevereiro e dão apoio aos guerrilheiros das bases em especial á Base Augusto Ngangula ,trabalhando paralelamente para o estado Congolês para poder custear as despesas familhares para que seu esposo tivesse uma disponibilidade total no M.P.L.A sem qualquer remuneração.
Em 1968,Agostinho Neto actual presidente do MPLA convida-o a regressar para o movimento no Congo Brazzaville como médico da segunda região militar: Dirige o SAM e dá assistência médica a todos os militantes que vivem a aquela zona. Acompanha os guerrilheiros nas suas bases ,no interior do território Angolano, onde é alcunhado “ CALA a BOCA” por atravessar essa zona considerada perigosa sempre em silêncio.
Hugo de Menezes colabora na abertura do primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário em Dolisie ,onde ele e sua esposa dão aulas.
Saturado dos conflitos internos no MPLA ,aliado a difícil e prolongada vida de sobrevivência ,em 1972 parte para Brazzaville.
Em 1973,descontente com a situação no MPLA e a falta de democraticidade interna ,foi ,com os irmãos Mário e Joaquim Pinto de Andrade , Gentil Viana e outros ,signatários do « Manifesto dos 19», que daria lugar a revolta activa. Neste mesmo ano, participa no congresso de Lusaka pela revolta activa.
Em 1974 entra em Angola ,juntamente com Liceu Vieira Dias e Maria de Céu Carmo Reis ( Depois da chegada a Luanda a saída do aeroporto ,um grupo de pessoas organizadas apedrejou o Hugo de tal forma que foi necessário a intervenção do próprio Liceu Vieira Dias).
Em 1977 é convidado para o cargo de director do hospital Maria Pia onde exerce durante alguns anos .
Na década de 80 exerce o cargo de presidente da junta médica nacional ,dirige e elabora o primeiro simpósio nacional de remédios.
Em 1992 participa na formação do PRD ( partido renovador democrático).
Em 1997-1998 é diagnosticado cancro.
A 11 de Maio de 2000 morre Azancot de Menezes, figura mítica da historia Angolana.
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